investimentos antes do ano acabar
INVESTIMENTOS
Cenário Doméstico e Internacional | Novembro 2026
O mês de outubro foi marcado por elevada volatilidade nos mercados domésticos, refletindo, sobretudo, as surpresas associadas à eleição presidencial. 
Resultados eleitorais e a Bolsa de Valores
Na primeira quinzena, o resultado do primeiro turno, no qual Flávio Bolsonaro recebeu 47,0% dos votos válidos, ante 45,1% de Luiz Inácio Lula da Silva, levou o mercado a ampliar as apostas em uma alternância de poder. 

No primeiro pregão após a votação, o Ibovespa avançou 7,7%, acompanhado pela valorização do real e pela queda das taxas de juros de longo prazo. 

O movimento também contou com forte participação do investidor estrangeiro na B3: até o dia 22, o fluxo externo acumulava compras líquidas de R$19,1 bilhões em outubro. 
Na segunda metade do mês, porém, esse cenário foi revertido após a reeleição de Lula, com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% de Flávio.
No pregão seguinte ao segundo turno, o Ibovespa recuou 13,88%, aos 176.608 pontos, o dólar avançou 8,7%, para R$5,41, e os juros futuros subiram mais de 200 bps. Com a correção, o Ibovespa encerrou o mês com queda de 9,88%.
Expectativas com próximo governo
Com o fim da disputa eleitoral, as atenções se voltam agora para as primeiras definições do próximo governo. 

A composição dos ministérios, sobretudo a escolha do novo ministro da Fazenda, será fundamental para indicar o grau de prioridade atribuído à agenda fiscal a partir de 2027. 

Também permanece no radar a possibilidade de apresentação de um plano mais abrangente para o início do novo mandato, eventualmente acompanhado por uma PEC destinada a reforçar os limites para as despesas e facilitar o cumprimento das metas de resultado primário. 
Ao mesmo tempo, avançam as articulações para a escolha dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado.
Embora as votações estejam marcadas apenas para 1º de fevereiro de 2027, as negociações já ganham destaque no noticiário.
Agenda econômica
Na agenda econômica, vale destacar a leitura de setembro do IPCA, que avançou 0,82% m/m, acima da mediana das estimativas de 0,76%, após deflação de 0,32% registrada em agosto.
Com o resultado, a inflação acumulou alta de 3,95% em 2026 e de 4,58% em 12 meses.
No mercado de trabalho, os dados seguiram indicando resiliência: a taxa de desemprego (PNAD Contínua) de setembro ficou em 5,2%, ante 5,3% no mês anterior. 

O último Relatório Focus do Banco Central (3/11), contudo, já incorporou mudanças relevantes à frente após o resultado eleitoral:
• A mediana das estimativas de mercado agora aponta inflação (IPCA) de 4,76% em 2027 (vs. 4,34% na semana anterior).
• Selic em 12,50% ao fim de 2027 (vs. 11,75% anteriormente).
• Dólar a R$5,40 no fim do próximo ano (vs. R$5,15 anteriormente).
Copom decide rumos da Selic
O estresse observado nos mercados também tornou menos previsível a decisão do Copom na reunião de 4 e 5 de novembro. 

Antes do segundo turno, o cenário-base contemplava um novo corte de 25 bps, que levaria a Selic de 13,75% para 13,50% ao ano. 

Após a eleição, entretanto, a combinação entre desvalorização cambial, abertura expressiva da curva de juros e maior incerteza fiscal levou os investidores a considerar a possibilidade de manutenção da taxa. 

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A discussão passou a alcançar um horizonte mais longo: além de questionar a continuidade do ciclo de flexibilização, o mercado começou a avaliar se uma eventual deterioração das expectativas de inflação poderia obrigar o BACEN a retomar o aperto monetário em 2027. 
Nesse contexto, a comunicação do Copom será relevante para balizar as expectativas.
Temporada de balanços 3T26
No ambiente corporativo, outubro marcou o início da temporada de resultados do terceiro trimestre. 
Para o universo de cobertura do Santander Research Brasil, as estimativas apontam para crescimento médio anual de 6,7% da receita líquida, 12,1% do Ebitda e 8,3% do lucro líquido.
Parte expressiva dessa expansão, contudo, está concentrada em Petróleo, Gás & Petroquímicos, segmento para o qual projetamos avanço anual de 17,6% da receita e de 46,9% do Ebitda, impulsionado pelos preços mais elevados do Brent e pelas disrupções de oferta decorrentes dos conflitos no Oriente Médio. 

Por outro lado, para os setores domésticos, esperamos crescimento médio de ~10% da receita líquida, ~3% do EBITDA e ~7% do lucro líquido – uma moderação do crescimento em relação ao 2T26, refletindo o impacto ainda persistente dos juros reais elevados e das condições de crédito mais restritivas. 
Já nos EUA, a temporada de resultados voltou a colocar os investimentos em inteligência artificial no centro das discussões.
A atenção dos investidores se deslocou do crescimento das receitas para a relação entre o volume de investimentos, a geração de caixa e a velocidade de monetização da tecnologia.
Fed não altera os juros
Em outubro, o Federal Reserve manteve os Fed Funds no intervalo de 3,75%-4,00%. A decisão não foi unânime, uma vez que dois integrantes do FOMC defenderam uma nova elevação de 25 bps. 

Em sua coletiva, Kevin Warsh evitou fornecer uma orientação explícita sobre o encontro seguinte e reiterou que as decisões continuarão condicionadas aos dados de inflação e mercado de trabalho.
Mesmo após a pausa, a precificação predominante do mercado ainda contempla uma alta de 25 bps na reunião de dezembro.
O Fed também anunciou mudanças em seu calendário a partir do 2º semestre de 2027, reservando uma das oito reuniões anuais exclusivamente para discussões estratégicas, sem decisão sobre os juros. 

Para 2028, a proposta prevê seis encontros de política monetária e dois dedicados à avaliação da estratégia.
Midterms: eleições americanas em destaque
A política norte-americana também deve ganhar maior protagonismo em novembro, com a realização das eleições de meio de mandato (midterm elections) em 3 de novembro. 

As pesquisas indicam uma disputa mais desfavorável para o Partido Republicano na Câmara dos Representantes, onde o risco de perda de cadeiras aparece como mais elevado. 

No Senado, o quadro permanece mais indefinido, com chances de formação de maioria para ambos os lados (democratas e republicanos).

Uma mudança no controle de uma ou das duas Casas poderia limitar a capacidade do governo de avançar com sua agenda legislativa e elevar as incertezas em torno da política fiscal, da regulação das empresas de tecnologia e da condução da política externa ao longo dos dois anos seguintes.
Tensões nas commodities
No cenário geopolítico, outubro não trouxe uma solução definitiva para o conflito no Oriente Médio, mas as tensões permaneceram relevantes para os preços das commodities. 

‍O petróleo voltou a subir ao longo do mês, com o Brent chegando a negociar acima de US$115 por barril, em meio aos riscos para o fornecimento e a novos ataques dos houthis contra a Arábia Saudita.
Manifestações na Europa e a incerteza política
Na Europa, as manifestações populares na França ampliaram o ambiente de incerteza política e adicionaram pressão sobre um calendário eleitoral que permanecerá intenso até o fim de 2027.
No âmbito monetário, Christine Lagarde anunciou que deixará a presidência do Banco Central Europeu em 7 de fevereiro de 2027, antecipando sua saída em nove meses.
A sucessão ocorrerá em um momento delicado para a região, no qual o BCE precisará equilibrar o enfraquecimento da atividade com os riscos inflacionários relacionados, entre outros fatores, à alta dos preços de energia.
Expectativas para novembro
Nas próximas semanas, a atenção dos mercados deverá permanecer concentrada em quatro frentes principais.
1. No Brasil, o foco estará na composição do próximo governo, especialmente na escolha do ministro da Fazenda, e na apresentação das prioridades econômicas para 2027, incluindo a eventual edição de uma PEC destinada a reforçar a credibilidade fiscal. 

2. A decisão do Copom de 4 e 5 de novembro e suas indicações sobre a trajetória futura da Selic também serão determinantes para o comportamento dos ativos domésticos.

3. No ambiente corporativo, os investidores acompanharão a continuidade da temporada de resultados do 3T26, com atenção aos impactos dos juros elevados, da restrição de crédito, da alta do petróleo e dos investimentos em inteligência artificial. 

4. No exterior, as eleições de meio de mandato e as negociações entre Estados Unidos e Irã continuam no radar, sobretudo por seus possíveis efeitos sobre a política fiscal norte-americana, os preços do petróleo, a inflação global e, consequentemente, a condução da política monetária nas principais economias.
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