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Atualizado: 02/03/2026 às 14:40
Equipe Research Santander
INVESTIMENTOS
Cenário Doméstico e Internacional | Março 2026
Apesar de um mês mais curto, também marcado por feriados prolongados (Carnaval no Brasil, Ano Novo Lunar na China e Washington’s Birthday nos EUA), fevereiro trouxe temas relevantes.
No cenário internacional, o fim das “tarifas recíprocas” instituídas pelos EUA ao longo de 2025 destacou-se como um dos principais assuntos do período.
A despeito da decisão da Suprema Corte, ainda permanecem dúvidas quanto à eventual adoção de medidas compensatórias pela Casa Branca.
As incertezas em torno da sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial também voltaram a pressionar as ações do setor.
Além disso, embora tenham ocorrido tratativas ao longo do mês entre EUA e Irã no âmbito de um acordo nuclear, o conflito se intensificou no dia 28, com registros de bombardeios e contra-ataques por ambas as partes.
A despeito da decisão da Suprema Corte, ainda permanecem dúvidas quanto à eventual adoção de medidas compensatórias pela Casa Branca.
As incertezas em torno da sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial também voltaram a pressionar as ações do setor.
Além disso, embora tenham ocorrido tratativas ao longo do mês entre EUA e Irã no âmbito de um acordo nuclear, o conflito se intensificou no dia 28, com registros de bombardeios e contra-ataques por ambas as partes.
Ibovespa e indicadores econômicos
No Brasil, por sua vez, o Ibovespa manteve a trajetória de valorização, renovando sucessivos recordes e alcançando 191.490 pontos no dia 24. No mês, o índice avançou 4,09%, elevando o ganho acumulado no ano para 17,17%.
A continuidade do rali foi sustentada, em grande medida, pelo fluxo estrangeiro, que registrou compras líquidas de R$ 16,1 bilhões em fevereiro (até 26 de fevereiro) e R$ 42,4 bilhões no acumulado do ano.
A agenda de política monetária ganhou maior protagonismo na reta final do mês, após a divulgação do IPCA-15 de fevereiro, cuja leitura veio materialmente acima do esperado.
A continuidade do rali foi sustentada, em grande medida, pelo fluxo estrangeiro, que registrou compras líquidas de R$ 16,1 bilhões em fevereiro (até 26 de fevereiro) e R$ 42,4 bilhões no acumulado do ano.
A agenda de política monetária ganhou maior protagonismo na reta final do mês, após a divulgação do IPCA-15 de fevereiro, cuja leitura veio materialmente acima do esperado.
O índice avançou 0,84% m/m (vs. estimativas de 0,56%), reacendendo dúvidas quanto à magnitude do ciclo de afrouxamento monetário pelo Banco Central.
Pauta política nacional
Em paralelo, o ambiente pré-eleitoral adicionou uma camada extra de incerteza, em meio à divulgação de pesquisas de intenção de voto e entrevistas concedidas por potenciais candidatos à Presidência.
Com o término do recesso parlamentar, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o projeto que ratifica o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, após a aprovação pela representação brasileira no Parlamento do Mercosul.
O texto segue agora para apreciação do Senado Federal e, posteriormente, ainda precisará ser ratificado pelos congressos dos demais países signatários.
Paralelamente, avançou a tramitação da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil: a proposta será analisada inicialmente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, antes de seguir para votação em plenário.
Com o término do recesso parlamentar, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o projeto que ratifica o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, após a aprovação pela representação brasileira no Parlamento do Mercosul.
O texto segue agora para apreciação do Senado Federal e, posteriormente, ainda precisará ser ratificado pelos congressos dos demais países signatários.
Paralelamente, avançou a tramitação da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil: a proposta será analisada inicialmente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, antes de seguir para votação em plenário.
Temporada de balanços corporativos
A temporada de resultados corporativos do 4º trimestre de 2025 começou em fevereiro e se estende até o dia 31 de março.
A leitura da equipe de Estratégia Institucional aponta para um crescimento médio, na comparação anual, de 3% na receita líquida, 4% no EBITDA e 19% no lucro líquido para as empresas sob cobertura do Santander Research Brasil.
A leitura da equipe de Estratégia Institucional aponta para um crescimento médio, na comparação anual, de 3% na receita líquida, 4% no EBITDA e 19% no lucro líquido para as empresas sob cobertura do Santander Research Brasil.
Com 35% da cobertura já tendo reportado seus balanços, observamos, até o momento, altas anuais de 22% no lucro líquido e 3,8% no EBITDA consolidado.
No 4T25, a economia brasileira manteve sinais de desaceleração gradual, refletindo os efeitos defasados de uma política monetária restritiva, parcialmente compensados por uma dinâmica fiscal mais expansionista, enquanto o mercado de trabalho permaneceu relativamente resiliente.
Tarifas novamente em foco
Nos EUA, a Suprema Corte delimitou o alcance da agenda comercial de Donald Trump ao concluir que a International Emergency Economic Powers Act (IEEPA) não autoriza o Poder Executivo a instituir tarifas, impactando parte expressiva das alíquotas implementadas em 2025.
Em resposta, a Casa Branca anunciou um imposto de importação temporário de 10% (alíquota ad valorem), com vigência de 150 dias e início em 24 de fevereiro.
O tema também ganhou contornos políticos no discurso de Trump do Estado da União, fala que se estendeu por cerca de 108 minutos e voltou a colocar as tarifas no centro da estratégia econômica e de negociação internacional do governo.
No pronunciamento, Trump criticou a decisão da Suprema Corte sobre o regime tarifário e reiterou que buscaria alternativas legais para sustentar sua agenda comercial.
No âmbito da política externa, o presidente citou esforços para reduzir tensões geopolíticas – incluindo a intenção de avançar na desescalada do conflito Rússia–Ucrânia.
Em resposta, a Casa Branca anunciou um imposto de importação temporário de 10% (alíquota ad valorem), com vigência de 150 dias e início em 24 de fevereiro.
O tema também ganhou contornos políticos no discurso de Trump do Estado da União, fala que se estendeu por cerca de 108 minutos e voltou a colocar as tarifas no centro da estratégia econômica e de negociação internacional do governo.
No pronunciamento, Trump criticou a decisão da Suprema Corte sobre o regime tarifário e reiterou que buscaria alternativas legais para sustentar sua agenda comercial.
No âmbito da política externa, o presidente citou esforços para reduzir tensões geopolíticas – incluindo a intenção de avançar na desescalada do conflito Rússia–Ucrânia.
Eventos geopolíticos
No campo geopolítico, as negociações entre EUA e Irã permaneceram no centro das atenções. No dia 6, aconteceram em Omã as primeiras tratativas, contanto com a presença do ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e do enviado especial dos EUA, Steve Witkoff.
No dia 19, dezenas de líderes mundiais se reuniram nos Estados Unidos para a primeira reunião oficial do Conselho da Paz, criado por Donald Trump em janeiro deste ano.
Inicialmente concebido com o objetivo de reconstruir Gaza, o conselho teve posteriormente seu mandato ampliado, passando a incluir respostas a outros conflitos globais.
Já na última semana do mês, houve um encontro em Genebra entre representantes dos Estados Unidos e do Irã, com o foco de avançar em um acordo nuclear entre os dois países.
A rodada de negociações, porém, terminou sem acordo, e o encerramento de fevereiro foi marcado por forte escalada das tensões, com ataques e contra-ataques envolvendo EUA/Israel e Irã, não só no território iraniano, mas em outras regiões do Oriente Médio.
No dia 19, dezenas de líderes mundiais se reuniram nos Estados Unidos para a primeira reunião oficial do Conselho da Paz, criado por Donald Trump em janeiro deste ano.
Inicialmente concebido com o objetivo de reconstruir Gaza, o conselho teve posteriormente seu mandato ampliado, passando a incluir respostas a outros conflitos globais.
Já na última semana do mês, houve um encontro em Genebra entre representantes dos Estados Unidos e do Irã, com o foco de avançar em um acordo nuclear entre os dois países.
A rodada de negociações, porém, terminou sem acordo, e o encerramento de fevereiro foi marcado por forte escalada das tensões, com ataques e contra-ataques envolvendo EUA/Israel e Irã, não só no território iraniano, mas em outras regiões do Oriente Médio.
Bolsa americana
No lado corporativo, a temporada de resultados das empresas americanas – especialmente as de tecnologia – reforçou a atenção do mercado não apenas aos números do 4º trimestre, mas principalmente à capacidade de sustentar, em 2026, o ciclo de investimentos associado à inteligência artificial (IA).
Nesse contexto, a NVIDIA apresentou um guidance para o 1T26 de US$ 78 bilhões em receita, acima das estimativas de consenso (US$ 72,8 bilhões), reacendendo o debate sobre disciplina de capex, concentração de demanda e valuation na cadeia de IA.
Ainda assim, mesmo com números fortes, parte do mercado seguiu sensível ao tema da sustentabilidade do boom de IA, refletido também em reuniões com investidores estrangeiros, como pontuado pelo time de Estratégia Institucional do Santander: um tema estrutural que emergiu foi o chamado “HALO trade” (high assets, low obsolescence).
A ideia captura uma mudança de preferência em um mundo moldado pela IA e pela rápida disrupção tecnológica: se a IA pode tornar modelos de negócio obsoletos em ciclos mais curtos, cresce a tendência de priorizar empresas e setores com ativos duráveis, difíceis de replicar e com maior capacidade de preservar valor econômico ao longo do tempo.
Nesse contexto, a NVIDIA apresentou um guidance para o 1T26 de US$ 78 bilhões em receita, acima das estimativas de consenso (US$ 72,8 bilhões), reacendendo o debate sobre disciplina de capex, concentração de demanda e valuation na cadeia de IA.
Ainda assim, mesmo com números fortes, parte do mercado seguiu sensível ao tema da sustentabilidade do boom de IA, refletido também em reuniões com investidores estrangeiros, como pontuado pelo time de Estratégia Institucional do Santander: um tema estrutural que emergiu foi o chamado “HALO trade” (high assets, low obsolescence).
A ideia captura uma mudança de preferência em um mundo moldado pela IA e pela rápida disrupção tecnológica: se a IA pode tornar modelos de negócio obsoletos em ciclos mais curtos, cresce a tendência de priorizar empresas e setores com ativos duráveis, difíceis de replicar e com maior capacidade de preservar valor econômico ao longo do tempo.
Commodities, energia & saneamento, concessões de infraestrutura, imobiliário e determinadas empresas do setor financeiro se encaixam bem nessa estrutura.
Em um mundo preocupado com o risco de obsolescência tecnológica, a composição do mercado brasileiro oferece exposição a ativos que são inerentemente difíceis de desestabilizar. Fator esse que também contribui para explicar o fluxo estrangeiro direcionado ao Brasil neste início de ano.
Fed e política monetária
Na política monetária, a divulgação, em 18 de fevereiro, da ata do FOMC (referente à reunião de 27–28 de janeiro) foi interpretada como consistente com uma postura de cautela: o Comitê enfatizou a incerteza sobre a convergência inflacionária e sinalizou desconforto com a possibilidade de a desinflação ocorrer de forma mais lenta e irregular do que o desejado nos EUA.
Ao mesmo tempo, o conteúdo da ata não alterou materialmente o cenário base do mercado para os próximos meses: a leitura predominante seguiu sendo de que, se houver retomada do ciclo de cortes, ela tende a ocorrer mais à frente no ano – a maior probabilidade de retomada dos cortes migrou para julho, e a expectativa de um corte acumulado de 50 bps em 2026 segue como o cenário mais provável, de acordo com o CME Group.
Quer saber mais e como posicionar seu portfólio neste cenário? Acesse agora o relatório completo com as recomendações de investimentos selecionados pelos nossos especialistas:
Ao mesmo tempo, o conteúdo da ata não alterou materialmente o cenário base do mercado para os próximos meses: a leitura predominante seguiu sendo de que, se houver retomada do ciclo de cortes, ela tende a ocorrer mais à frente no ano – a maior probabilidade de retomada dos cortes migrou para julho, e a expectativa de um corte acumulado de 50 bps em 2026 segue como o cenário mais provável, de acordo com o CME Group.
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