investimentos antes do ano acabar
INVESTIMENTOS
Cenário Doméstico e Internacional | Setembro 2026
O mês de agosto foi marcado por movimentos divergentes entre os mercados brasileiro e internacional, em meio à reavaliação das perspectivas para a política monetária, à intensificação do calendário político e eleitoral e ao avanço de pautas relevantes no Congresso. 
No exterior, os investidores permaneceram atentos às sinalizações do Federal Reserve e aos desdobramentos das tensões geopolíticas.
Ibovespa fecha em queda
No Brasil, o Ibovespa encerrou agosto em queda de 0,33%, apesar da recuperação observada na 2ª quinzena do mês.
O fluxo estrangeiro também permaneceu desfavorável, com saldo negativo de R$18,6 bilhões no mês até 28 de agosto.
Entre os argumentos para um maior ceticismo do investidor internacional, destacam-se:
Ciclo deflexibilização monetária menos intenso do que o esperado.
Trajetória fiscal ainda desafiadora.
• Condições de crédito
mais restritivas. 
A combinação desses fatores reduziu o suporte à visão mais construtiva sobre o mercado local que, no início do ano, havia sustentado um posicionamento mais elevado.
Bolsas internacionais em alta
Ao contrário do mercado local, os índices acionários internacionais encerraram agosto majoritariamente em alta. 
O S&P 500 e o Dow Jones, ambos dos Estados Unidos, avançaram 2,6% e 1,3%, respectivamente. 
Na Europa, o alemão DAX avançou 2,4%, enquanto, na Ásia, a alta foi de 3,5% (média dos índices Shanghai, da China; Kospi, da Coreia do Sul; e Nikkei, do Japão). 

Após o petróleo (tipo Brent) avançar 24% em julho, a commodity encerrou o mês de agosto próximo da estabilidade, mas ainda acima do patamar de US$ 90 por barril.
Cenário macroeconômico atualizado
Em meados de agosto, o time de Economia do Santander revisou seu cenário macroeconômico, com ajustes pontuais nas principais projeções. 
O destaque foi a revisão para baixo do IPCA de 2026, de 5,0% para 4,9%. As projeções para a taxa Selic foram mantidas em 13,75% para o fim de 2026 e 12,75% para 2027.
Para este ano, a estimativa está em linha com o consenso de mercado indicado pelo Relatório Focus, enquanto, para 2027, permanece acima da expectativa de Selic terminal de 12% apontada pelo consenso. 

Segundo os economistas, reduzimos nossa projeção para o IPCA de 2026 para 4,9%, refletindo surpresas favoráveis em alimentos, combustíveis e serviços, enquanto mantivemos a projeção para 2027 em 4%. 

Ainda assim, há pouca razão para interpretar esses resultados recentes como o início de um regime mais benigno para a inflação. 

O El Niño deve voltar a pressionar os preços dos alimentos mais adiante neste ano, o ciclo pecuário aponta para proteínas mais caras e as commodities retomaram uma tendência de alta. 

Mesmo assim, com a demanda doméstica perdendo dinamismo gradualmente e os juros reais em patamares contracionistas, o balanço de riscos para a inflação agora parece modestamente inclinado para baixo.
Eleições 2026 e política nacional
No âmbito político, as atenções seguem voltadas para o calendário eleitoral, com o primeiro turno marcado para 4 de outubro e um eventual segundo turno para 25 de outubro. 

O mês de agosto concentrou marcos importantes do processo: o prazo final para registro das candidaturas, no dia 15; o início da campanha eleitoral, no dia 16; e, por fim, o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, no dia 28. 

Até outubro, além da divulgação de pesquisas de intenção de voto e da realização de sabatinas, o calendário reserva outra data relevante: 16 de setembro, prazo final para a substituição de candidatos.
A agenda no Congresso voltou ao centro das atenções com o avanço de temas de grande repercussão econômica e social. 
Entre os principais destaques, estiveram a PEC do fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública, e a discussão sobre o fim da chamada “taxa das blusinhas” para compras internacionais de até US$50. 

No último dia 21, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, despachou para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) duas propostas: a que trata do fim da escala 6x1 (PEC 221/2019), tendo como relator o senador Omar Aziz (PSD-AM), e a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025), tendo como relator o senador Rogério Carvalho (PT-SE). 

Já a Medida Provisória que extingue a chamada “taxa das blusinhas” aguarda votação do Congresso nas próximas semanas para não perder validade. 

Por fim, no dia 31, foi apresentado o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, trazendo uma projeção de R$ 2,83 trilhões em despesas primárias e R$ 3,459 trilhões em receitas, com previsão de superávit primário de R$ 18,6 bilhões (equivalente a 0,13% do PIB).
O projeto prevê ainda um aporte de R$ 6 bilhões para os Correios e alta de 7,4% no salário-mínimo, para R$ 1.741.
Fim da temporada de balanços do 2T26
No campo corporativo, a temporada de balanços do 2º trimestre se encerrou no último dia 15. 

Os principais indicadores financeiros do universo de cobertura do Santander Research apresentaram melhora significativa no 2T26, com:
• Crescimento de 12,9% da receita líquida.
• Alta de 27,8% do Ebitda.
• Aumento de 31,9% do lucro líquido, todos em base anual.
O desempenho mais forte foi impulsionado, em grande medida, pelo segmento de commodities (principalmente petrolíferas), cujo Ebitda avançou 43,1% a/a. 

De forma geral, o 2T26 marcou um trimestre mais forte em termos consolidados, mas com uma clara mudança na dinâmica de resultados em direção às empresas de commodities, enquanto os nomes domésticos apresentaram desempenho mais moderado e um número menor de surpresas positivas em relação ao consenso.
Ainda no tema de mercados no Brasil, o nosso time de Estratégia Institucional estabeleceu um novo preço-alvo de 206 mil pontos para o Ibovespa ao fim de 2027, o que representa um potencial de valorização de 16% em relação aos níveis atuais. 
A projeção incorpora um crescimento de 10% do lucro por ação (LPA) do índice em 2027 e um múltiplo P/L justo de 8,8x – patamar que, apesar do potencial de valorização projetado, permanece 13% abaixo da média observada nos últimos dez anos.
Fed reafirma tom hawkish
Do lado internacional, a ata do FOMC referente à reunião de julho, divulgada em 19 de agosto, recebeu especial atenção. 

Entre os temas abordados, esteve a sugestão do presidente do Fed, Kevin Warsh, de reduzir o calendário para até seis reuniões anuais, ante as oito atuais. 

Já no simpósio de Jackson Hole, no fim do mês, Warsh ressaltou que, apesar da melhora dos indicadores econômicos do país, a inflação permanece acima da meta de 2%, afirmando que “o foco predominante do Fed neste momento deve estar nos preços”. 
O tom, interpretado pelo mercado como hawkish, levou as projeções do consenso a migrarem para uma alta de juros já na reunião do FOMC de setembro.
Copom reduzirá a Selic mais uma vez?
Nos próximos dias, o radar doméstico estará voltado para a decisão do Copom, em 16 de setembro – com as perspectivas majoritárias do mercado apontando para um último corte de 25 bps da taxa Selic –, e para o avanço do calendário eleitoral. 

Também será importante acompanhar a agenda no Congresso, com esforços concentrados para votar alguns projetos de lei ao longo de setembro. 

Nos Estados Unidos, o destaque também vai para a pauta de política monetária, com o anúncio de juros pelo Federal Reserve previsto para o dia 16 – e as projeções majoritárias apontando para alta de 25 bps dos Fed Funds. 

A evolução dos indicadores macroeconômicos – especialmente de inflação, mercado de trabalho e atividade econômica – será essencial para calibrar as expectativas do mercado. Como pano de fundo, a agenda geopolítica continuará sendo um importante vetor para os ativos globais.

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